Enquanto o Café Esfria,  A sorte que eu achava ter

A sorte que eu achava ter – Última Conversa

| Sempre acreditei que a minha sorte era aquela velha senhora remelenta...
Sempre que algo ruim acontecia, eu me perguntava, com certa revolta:
"Por que será que a minha sorte não dorme?"

Acreditei tanto nessa história que passei a duvidar de que algum dia os meus sonhos se realizariam. Quando algo dava certo, eu desconfiava. Porque, no fundo, bem lá no fundo, eu acreditava que a minha sorte continuava acordada.
Era engraçado... Sempre que eu visitava meu avô, pedia que ele fizesse a minha sorte dormir. Ele nunca respondia. Apenas sorria.
Mas como eu faria para fazê-la dormir? De vez... ou, pelo menos, de vez em quando?
Essa pergunta me acompanhou por anos.
Até que, em um dia qualquer, ouvi uma frase que mudou a maneira como eu enxergava a vida:

"A sorte é quando a oportunidade encontra alguém preparado."

Naquele instante, foi como se uma luz se acendesse dentro de mim. Mas ainda levei algum tempo para compreender o verdadeiro significado daquelas palavras.
Talvez a culpa fosse da velha remelenta. Talvez ela insistisse em permanecer acordada para impedir que as oportunidades chegassem até mim.


Foi então que percebi uma verdade difícil de aceitar:
O problema nunca foi ela.
Era eu.
Eu precisava me esforçar mais. Não para vencer a sorte, mas para vencer a mim mesma.
Percebi que planejava demais e executava de menos. Contava meus sonhos antes de dar o primeiro passo. Confundia intenção com realização. E, quando a oportunidade finalmente aparecia, eu ainda não estava preparada para recebê-la.
Então fazia o que era mais fácil.
Culpava a sorte.
Era muito mais confortável acreditar que existia uma velha senhora responsável pelos meus fracassos do que admitir que eu ainda não havia feito o que precisava ser feito.
Mas a sorte nunca deixou de passar pela minha vida.
Ela sempre esteve lá.
Quem não estava pronta era eu.
Foi nesse momento que finalmente compreendi o sorriso do meu avô.
Ele nunca tentou fazer a minha sorte dormir porque sabia que ela nunca foi o verdadeiro problema.
Quem precisava despertar era eu.
Hoje, se pudesse encontrar aquela velha senhora outra vez, faria apenas um pedido.
Não pediria que fosse embora.
Não pediria que dormisse.

Apenas diria:
"Pode continuar acordada. Desta vez, quem está preparado sou eu."

Talvez a sorte nunca tenha mudado.
Talvez a única coisa que precisasse mudar fosse a história que eu insistia em contar para mim mesma.
Foi exatamente por isso que este livro recebeu o nome A sorte que eu achava ter.
Porque, no fim das contas, a sorte nunca foi aquela velha senhora.
| "...Ela era apenas a desculpa perfeita que encontrei para adiar a vida que sempre esteve esperando por mim."
| "AGORA A CONVERSA É COM VOCÊ."

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