Acho que esse marco merece uma reflexão um pouco maior. Os 190 dias já representam mais de meio ano. É um bom momento para falar sobre o que realmente muda quando insistimos em algo.
Durante muito tempo eu achei que disciplina era fazer a mesma coisa todos os dias. Hoje eu desconfio que não.
Disciplina é descobrir, aos poucos, quem você se torna quando decide não abandonar um compromisso consigo mesmo.
Quando comecei a dobrar tsurus, o objetivo parecia muito claro: chegar aos mil. Mas, conforme os dias foram passando, percebi que os tsurus eram apenas uma desculpa.
O verdadeiro projeto nunca foi de papel.
Era aprender a voltar.
Voltar nos dias bons, quando tudo parece fácil. Voltar nos dias ruins, quando nada faz sentido. Voltar mesmo sem inspiração, sem aplausos, sem a certeza de que alguém está acompanhando.
Acho que é assim que a gente constrói qualquer coisa importante: um livro, uma amizade, um negócio, um casamento, uma carreira... ou uma nova versão de si mesmo.
Não em um grande gesto.
Mas na decisão silenciosa de aparecer mais uma vez.
Talvez seja por isso que eu já não esteja dobrando apenas tsurus.
Acho que, sem perceber, estou dobrando a mim mesmo.